Banco Central desiste de embargos e TCU fará inspeção da liquidação do Master
JOTA.Info 2026-01-13
O Banco Central desistiu nesta terça-feira (13/1) dos embargos de declaração opostos contra a decisão do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a inspeção do Banco Master.
Dessa forma, a análise dos documentos da autoridade monetária sobre a liquidação do banco vai ocorrer sem a necessidade de passar pelo plenário do órgão de controle.
A retirada do recurso do Banco Central ocorreu um dia após a reunião entre o presidente do TCU, Vital do Rêgo, o ministro Jhonatan de Jesus, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, entre outros representantes das instituições.
Durante o encontro ficou acordada a inspeção da documentação do caso Master, mas com respeito ao sigilo bancário, às prerrogativas do BC e às competências da autoridade monetária. Assim, não está clara a extensão do acesso aos documentos que os técnicos do TCU terão acesso.
Após a reunião desta segunda-feira (12/1), o único a dar declarações foi o ministro Vital do Rêgo, ele falou que diligências seriam feitas pelo TCU, mas que a liquidação do banco cabia ao Banco Central. Um dos tópicos polêmicos do despacho de Jhonatan que autorizou a inspeção era o de que seria possível rever a liquidação do banco feita em novembro de 2025, o que gerou um mal-estar entre as instituições.
“Nós definimos que o TCU vai ter acesso aos documentos do Banco Central, que foram base para o processo liquidatório. Só quem podia liquidar era o Banco Central, nós nunca discutimos isso, e cabe ao TCU fazer análise dos documentos”, disse Vital do Rêgo à imprensa.
No recurso interposto no TCU, o BC pedia que a decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus sobre a inspeção em documentos sobre o caso Master no Banco Central fosse colegiada. Segundo o BC, a decisão não poderia ser tomada de forma monocrática por um ministro. Já o ministro havia pedido a inspeção por entender que a documentação entregue ao TCU até então era insuficiente.
Haddad: “Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse em entrevista a jornalistas que tem falado com o presidente do Banco Central quase “diariamente” e que a pasta está dando o respaldo institucional necessário. Em sua avaliação, o trabalho do BC no caso Master foi tecnicamente robusto. “Eu estou absolutamente seguro do trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram ali”, disse.
O ministro destacou que o poder público vai tomar as cautelas devidas, com espaço para a defesa, mas, ao mesmo tempo, sendo firmes na defesa do interesse público. “O caso inspira muito cuidado. Nós podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país”, acrescentou.
Haddad também comentou que tem conversado com o presidente do TCU sobre o tema. “Eu penso que houve ali uma uma convergência sobre como ajudar, como fazer o melhor pro país conhecer a verdade, apurar responsabilidades e, eventualmente, obter ressarcimento dos prejuízos causados”.